Alta Hospitalar: Fatores que interferem na qualidade, segurança e recuperação do paciente domiciliar.

Por: JOSÉ EDUARDO DE AGUILAR NASCIMENTO

O desafio em manter a qualidade e segurança na Alta Hospitalar deve ser um compromisso de toda a rede que de alguma forma pode influenciar na continuidade da recuperação do paciente em casa, envolvendo os Profissionais da Saúde, as Operadoras de Saúde, as Empresas de Home Care, os Familiares e Cuidadores do paciente.

Nos dias atuais, a preocupação com a eficiência do cuidado médico e nutricional para o paciente hospitalizado tem sido bastante enfatizada e implementada. Em contrapartida, os cuidados com o paciente que recebe alta hospitalar ainda não têm a mesma atenção em comparação ao que está recebendo cuidados no hospital. Esse problema toma uma dimensão ainda maior pela crescente tendência de desospitalizaçäo e alta precoce que permeiam a supra-estrutura pensante dos atores desses universo social: o paciente, a equipe de saude, o hospital e os planos de saude. Nesse contexto, a SBNPE criou recentemente uma comissão de atenção nutricional domiciliar para estudar e ditar diretrizes que visarão ajudar pacientes e profissionais de saude que atuam nessa área. A SBNPE entende que faltam informações e dados nacionais sobre a Atenção nutricional domiciliar. Assim, nossa sociedade tentará preencher essa lacuna como uma sociedade multidisciplinar, ética e compromissada com cuidados nutricionais para o paciente que recebe terapia enteral e/ou parenteral no seu domicilio. .

Vários fatores podem afetar a segurança e a qualidade do cuidado nutricional do paciente em atendimento domiciliar. A desinformação dos pressionais de saude e a situação socioeconômica do paciente parecem ser muito importantes. A SBNPE entende que pode participar ativamente provendo informação baseada em evidência e mecanismos que possam ajudar os profissionais de saude e hospitais a melhorar o atendimento .

No atendimento nutricional domiciliar encontraremos uma diversidade de situações socioeconômicas que variam de pessoas com recursos escassos até pessoas com alto padrão de vida. O fato é que quando existe uma doença que impacta na vida desta pessoa e dos seus familiares, nos profissionais da saúde precisamos pensar como será a vida deste paciente após a alta hospitalar e como podemos influenciar positivamente desde o momento da alta hospitalar. Será que a família deste paciente terá condições de pagar por uma empresa especializada em atendimento domiciliar ou ainda contratar um cuidador? Como podemos aumentar as chances deste paciente ser cuidado com maior qualidade e segurança, melhorando suas chances de recuperação em casa e diminuindo risco de desnutrição e outras ocorrências que podem levá-lo a uma re-internação? Os dados mostram que um paciente mal assistido em casa, é um forte candidato a ser internado novamente, seja pelo agravamento de sua doença de base ou porque a desnutrição foi um fator que contribuiu para uma queda do seu quadro geral. Particularmente esse problema é importante no paciente idoso. Os idosos representam um segmento de risco para desnutrição e que recebem atenção nutricional domiciliar com frequência. Uma recente meta-análise mostrou que a desnutrição pode atingir 3O% ou mais em idosos em home care prolongado ou naqueles que se encontram em casas de repouso. Ainda mais, o estudo mostrou que o risco de desnutrição aumenta com o nível de dependência do paciente.  Isso sugere que a informação e a educação de cuidadores e dos profissionais de saude é crucial.

Enfim, a segurança e qualidade na atenção nutricional domiciliar é importante e cada vez mais necessária nos dias atuais. Ha uma tendência de crescimento no número de pacientes nessa modalidade de atendimento nutricional e por isso a SBNPE precisa estar preparada para educação continuada e geração de novas diretrizes baseadas em evidência.

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